“Ser bonzinho” no sentido popular é muitas vezes evitar conflitos, não impor limites e agradar a todos, mesmo à custa da verdade. Esse comportamento pode levar a comprometer os princípios cristãos, tornando-nos complacentes diante do pecado ou negligentes em nosso dever de pregar a verdade. Jesus não era simplesmente “bonzinho”. Ele repreendeu os líderes religiosos hipócritas (Mateus 23), desafiou comportamentos errados (como a exploração no templo, João 2:15-16), e, ao mesmo tempo, demonstrou misericórdia e graça para com os humildes e arrependidos.
O amor de Cristo como modelo
O amor que Cristo demonstrou não era indulgente, mas sacrificial e transformador. Ele amava de forma tão completa que deu a própria vida para nos salvar, mas nunca comprometeu a verdade ou tolerou o pecado. Nosso chamado como cristãos é seguir esse exemplo, mesmo quando isso nos coloca em oposição ao mundo.
Amar, à luz dos dois mandamentos, é algo ativo, profundo e muitas vezes desconfortável, porque envolve a cruz – a nossa e a do próximo. Por isso, o amor cristão nunca pode ser reduzido ao simples “ser bonzinho”. Ele é uma expressão do caráter de Deus, que é amor, mas também é justiça, santidade e verdade.
Negar a si mesmo
O “negar a si mesmo” é um tema central no discipulado cristão, isso é particularmente desafiante porque a cultura moderna incentiva o “amor-próprio” voltado para a exaltação do ego e dos interesses pessoais. Contudo, o amor a Deus nos leva a entender que só encontraremos a verdadeira realização ao submeter nossos desejos aos valores eternos que Ele estabeleceu.
O segundo mandamento, de amar o próximo como a si mesmo, é igualmente exigente e requer sabedoria espiritual para equilibrar compaixão, misericórdia e juízo. Compromisso com a verdade não deve se manifestar em um juízo condenatório, mas sim em uma abordagem que permita ao outro enxergar a beleza e a lógica da Verdade de Cristo. Esse tipo de amor implica em confrontar o próximo com a verdade, mas de maneira que reflita o próprio caráter de Jesus – firme na verdade, mas sempre oferecendo misericórdia.
Muitos confundem o chamado para amar a Deus e ao próximo com uma ideia superficial de “ser bonzinho”, como se o amor cristão fosse apenas uma questão de gentileza passiva ou aceitação irrestrita. Contudo, os dois mandamentos de Jesus vão muito além disso, exigindo um compromisso profundo com a verdade, a justiça e a santidade de Deus.
Amar a Deus com toda a intensidade
Priorizar a vontade de Deus acima de nossos desejos pessoais. Isso implica negar-se a si mesmo e resistir às tentações que buscam nos afastar Dele.
Viver em santidade, rejeitando a mentalidade permissiva do mundo.
Testemunhar a verdade, mesmo que isso nos custe popularidade ou conforto.
Isso não é “ser bonzinho”, mas sim submeter-se completamente ao senhorio de Cristo, o que muitas vezes envolve confrontar o pecado em nós mesmos e na sociedade.
Amar o próximo como Cristo nos amou
Confrontar o pecado com amor: Amar é alertar alguém sobre o caminho errado que está seguindo, com o objetivo de levá-lo ao arrependimento e à salvação. Como diz Provérbios 27:6 “Fiéis são as feridas feitas pelo amigo, mas os beijos do inimigo são enganosos.” Amar é, muitas vezes, confrontar com coragem e ternura, como Jesus fez com a mulher adúltera em João 8. Ele a perdoou, mas também disse: “Vai-te, e não peques mais” (João 8:11).
Praticar misericórdia e compaixão: Isso envolve suprir necessidades, estender a mão ao necessitado e ouvir com empatia. No entanto, a compaixão verdadeira não nega a verdade – ela aponta para Cristo, que é o único caminho para a salvação (João 14:6).
Evitar o relativismo moral: Amar ao próximo não é tolerar ou validar comportamentos que estão em desacordo com os padrões de Deus. Pelo contrário, é compartilhar a mensagem do Evangelho, que transforma vidas.
Ao longo da história, o cristianismo ensinou que há uma verdade objetiva e universal, centrada no caráter e na santidade de Deus. Esta verdade não é uma opinião subjetiva; ela se expressa nas Escrituras, sendo a revelação da moral e do propósito divino para a humanidade.
Regras e Responsabilidades dos Cidadãos
Cada cidadão, seja individualmente ou coletivamente, carrega a responsabilidade de refletir essa Verdade, alinhando sua vida ao caráter divino. Isso implica:
- Buscar a santidade: A vida cristã é um chamado à santidade, não por normas impostas, mas por transformação espiritual genuína (1 Pe 1:15-16 ).
- Ser sal e luz no mundo: O cristão deve ser um agente de preservação moral e uma fonte de iluminação para os outros (Mt 5:13-16).
- Promover a justiça e o amor ao próximo: Atuar para o bem da comunidade, buscando a justiça e a equidade, com uma compreensão fundamentada na verdade de Deus (Mq 6:8).
Essas responsabilidades exigem que o cristão não se submeta às pressões ideológicas e culturais que se desviam da Verdade Divina.
As Verdades Eternas
As verdades eternas podem ser sintetizadas como:
- A Soberania e Santidade de Deus: Deus é santo, imutável e digno de reverência e adoração.
- A Criação e Propósito do Homem: O ser humano foi criado à imagem de Deus, para viver em santidade e em conformidade com Sua vontade, respeitando a ordem natural.
- A Família como Instituição Divina: O modelo bíblico da família como uma união entre um homem e uma mulher (Gn 2:24).
- A Natureza do Pecado e da Redenção: O pecado é uma transgressão da lei divina, e o único caminho para a redenção é através de Cristo (Rm 6:23).
Essas verdades não são mutáveis. Elas se baseiam na essência do próprio Deus, que não muda (Hb 13:8).
Consequências da Negação da Verdade
A ignorância ou rejeição dessas verdades eternas tem consequências profundas, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. Em nível pessoal, tal negação leva à destruição do caráter e à alienação de Deus, resultando em um vazio espiritual, moral e existencial. Em uma perspectiva coletiva, vemos:
- Degradação moral: Quando uma sociedade ignora a Verdade de Deus, ela perde seu norte moral, levando a uma degeneração cultural e ética.
- Confusão de identidades: A rejeição do design divino para a masculinidade e feminilidade resulta em desordem social e psicológica.
- Distorção da justiça: A justiça se torna relativa, favorecendo a corrupção, o hedonismo e a autossatisfação, enquanto desconsidera os princípios eternos.
Relação com o Caráter
Sim, essas verdades estão intrinsecamente relacionadas ao caráter. O caráter cristão é moldado na conformidade com Cristo e se manifesta em uma vida que reflete a justiça, a bondade e a integridade divinas. A formação do caráter é o resultado de uma vida que abraça a Verdade de Deus e rejeita o pecado, levando ao desenvolvimento de virtudes como honestidade, autocontrole, e responsabilidade.
Mentiras que Vivemos Hoje
A sociedade contemporânea enfrenta uma inversão de valores em várias áreas:
- Relativismo moral: A ideia de que não há verdade absoluta, apenas opiniões, nega a existência de um padrão divino de certo e errado.
- Liberdade absoluta como virtude: A liberdade sem responsabilidade e sem moralidade é uma ilusão perigosa. A verdadeira liberdade encontra-se em obedecer a Deus, não em fazer o que se quer (Jo 8:32-36).
- Ideologias de gênero: Estas promovem uma visão distorcida da criação e negam a biologia básica e o plano divino para a humanidade.
- “Direitos” que distorcem a moralidade: A busca por direitos individuais desconectados da verdade moral absoluta gera uma cultura onde o pecado é institucionalizado.
Juízo e Consequências
Vivemos sob o juízo de Deus, que se manifesta de duas maneiras: na vida presente, através da degradação moral e social como consequência do pecado, e no futuro, no juízo final, onde cada um dará contas de suas ações (2 Co 5:10). Um sistema jurídico e social que adota leis em favor do pecado, chamando o mal de bem, vive sob um juízo gradual e presente, que se desdobrará em consequências eternas.
Limite da Mentira em Nome da Liberdade Absoluta
A liberdade absoluta é uma noção arrogante e ilusória. A verdadeira liberdade é sempre limitada pela Verdade. Quando uma sociedade busca liberdade sem um compromisso com a Verdade Divina, ela entra em colapso moral, pois não há diretrizes seguras para o bem e o mal. Essa falsa liberdade acaba escravizando o homem aos próprios desejos desordenados, tornando-o cativo de uma vida sem propósito e esperança.
Ataque Espiritual e Reação Cristã
O momento atual pode ser visto como um ataque espiritual em que forças ideológicas promovem uma moralidade antropocêntrica que desafia Deus e exalta o homem. Esse movimento tenta desestabilizar tudo o que é justo, puro e imutável. A resposta do cristão é resistir a esse sistema com amor e firmeza, confiando na Verdade Divina e vivendo como testemunha do caráter de Deus. A verdadeira transformação começa com indivíduos e comunidades que decidem viver na Verdade, independentemente das consequências sociais.
Em conclusão, a luta pela Verdade é uma batalha contínua, e exige de cada cristão um compromisso profundo e irrestrito com a Palavra de Deus. Como afirmou Jesus, “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9:23).
A Confusão entre Amor e Permissividade
A confusão entre amor ao próximo e permissividade é um dos maiores desafios do nosso tempo. A ideia de que amar o próximo é aceitar incondicionalmente tudo o que ele deseja, sem considerar as implicações morais ou consequências de suas escolhas, tem levado muitas pessoas e sistemas sociais a adotarem uma postura relativista. Isso significa que, em vez de proteger o indivíduo e a sociedade das consequências negativas de ações que se afastam da verdade, muitos se sentem pressionados a validar qualquer comportamento, independentemente de quão danoso ele possa ser.
Por exemplo, ao invés de orientar alguém a viver conforme os princípios universais de moralidade e justiça, preferem-se abordagens permissivas que afirmam que todos devem ter o direito de viver como bem entenderem, sem levar em conta que essa liberdade absoluta pode ser autodestrutiva e prejudicial não apenas ao indivíduo, mas a toda a coletividade.
O verdadeiro amor não é simplesmente dizer “sim” a tudo, mas guiar o próximo na direção do que é verdadeiro, bom e justo, mesmo que isso envolva dizer “não” quando necessário.

